a casca: capítulo 2
a bela canção de uma casca desfeita no chão se instalou
o vento que levou minhas cinzas ao redor do mundo se cessou
agora não estou mais presa na carne
posso me sentir em todo lugar, como já disse
o início, o fim e o que há no meio
não há lamento restante
se há cor, todas elas estão por aqui
as asas não são mais imaginárias
a vela da Mãe Sagrada iluminou o caminho
o temor e a calmaria andam lado a lado
agora é para valer
as velas acesas em um candelabro
vestígios de cera
canções que arrepiam a espinha
Ela chegou
os altos ruídos mundanos começam a se calar
meus típanos foram-se com a casca
aqui quero estar eternamente
na tenra fase
na sabedoria anciã
passarei fome de ego como escolha
nunca fui e nunca serei perfeita
porém posso escolher tentar meu melhor
olho para os céus friamente
observando o eclipse raro que nos foi presenteado
libertai-me de todo desvio de caminho
desabarei em lágrimas ao receber as chaves das amarras da vida
foi tudo tão difícil
ainda é, mas não posso ser ingrata
irei descalça abaixo da lua buscar meu lugar na turbulência do espírito
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