fantasia
perambulando pelas ruas
ou sonhando para não viver a realidade
evitando a minha crua face fria
fantasiando desacordada um mundo paralelo
onde tudo parece mais belo
se encaro um pesadelo
ao menos não é real
sou covarde e às vezes alheia ao meu eu
eu vou correr até cansar ou me estagnar
estou sempre entre extremos opostos
neste teatro desastroso
sou apenas uma mancha que se esconde
bem atrás das cortinas do palco
com medo das luzes
e honestamente sem vontade de seguir
enquanto o tempo não passa e se cessa
eu continuo pisando em cacos de vidro
pouco a pouco na autodestruição
os motivos eu não sei descrever
eu só sei sentí-los intensamente
aqui mora um peso enorme
uma neblina densa que não se moverá
a dependência do caos
a cicatriz profunda de uma lâmina afiada
a dor da saudade da infância que não voltará
Pô que profundo, excelente poema 🫠
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